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    Descrição->A Política em Aristóteles e Santo Tomás
    Preço: R$ 42,00
    Características:

    Em sociedades nas quais os indivíduos são induzidos a se transformar, demiurgicamente, em criadores de si mesmos, no tocante aos valores em que devem pautar as suas escolhas, nada mais saudável do que o contato com as teorias políticas de Aristóteles e Tomás de Aquino. Trata-se de duas visões de mundo — a virtude aristotélica e a ética cristã do Sumum Bonum — contrárias ao subjetivismo corrosivo (de matiz liberal e hoje tão em voga no Ocidente, sob variados disfarces) que traz a ilusão de que as consciências individuais “criam” os valores, em vez de apenas reconhecê-los na própria estrutura ontológica da realidade. Na visão de Santo Tomás, sobretudo, as coisas valem, objetivamente, pelo que são, ou seja: na medida em que participam da ordem do ser de modos e em graus específicos, extra mentis do homem — numa estrutura metafísica que vai do mais ínfimo ente até o “Próprio Ser Subsistente” (Ipsum Esse Subsistens); na visão subjetivista, elas valem como projeções do conhecer e do querer humanos.

    Feita essa breve indicação preliminar — de benévolo contato com o realismo de Aristóteles e de Tomás de Aquino, a partir dos próprios textos destes dois gênios metafísicos —, passemos à prescrição de um remédio mais específico, para quem estiver no labirinto sem saída do subjetivismo gnosiológico que, desde Maquiavel e Hobbes, só fez aumentar o abismo entre Política e Ética: este substancioso A Política em Aristóteles e Santo Tomás, do argentino Jorge Martínez Barrera, doutor em filosofia pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica, com uma laureada tese sobre o pensamento político de Tomás de Aquino, diretor da faculdade de filosofia da Pontificia Universidad Católica de Chile e autor de vários artigos sobre política, publicados em algumas das mais prestigiosas universidades da Europa e da América Latina.

    Após a leitura deste estudo, o leitor verá o quanto é equívoca a expressão “pensamento aristotélico-tomista”. As semelhanças entre os princípios metafísicos sobre os quais são erguidas as teorias políticas de Aristóteles e de Tomás de Aquino são postas por Barrera em seu devido lugar, ou seja: não escamoteiam as grandes diferenças quanto ao aprofundamento, por Santo Tomás, da análise aristotélica da política; quanto à discutibilidade de algumas teses do Estagirita para o pensador medieval, como por exemplo a da “escravidão natural”; e em relação à inaceitabilidade de algumas opiniões de Aristóteles, no parecer do Doutor Angélico, como a de que a comunidade política é o âmbito supremo da realização e da felicidade humanas.
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