A
Política em Aristóteles e Santo
Tomás
Nunca se falou tanto no Brasil em moralizar a política. As campanhas pela ética crescem não apenas na sociedade, mas nas próprias Casas Legislativas hoje se vêem movimentos neste sentido, como na tensão que neste ano de 2007 envolveu o Senado Federal. Portanto, em um momento de crise de valores como o atual, nada como procurar saber o que os grandes pensadores do passado disseram a respeito de ética e política — oportunidade que surge agora, com o lançamento do livro “A Política em Aristóteles e Santo Tomás”, do filósofo argentino Jorge Martínez Barrera, que a editora Sétimo Selo está apresentando ao público brasileiro em uma bem-cuidada tradução do premiado Carlos Nougué.
Neste denso estudo, mostra-se em detalhes como a filosofia política teve uma grande ruptura a partir de Nicolau Maquiavel (século XVI): desde então, a ética passou a ser considerada como um assunto de interesse privado, enquanto as análises sobre a política se transformaram em mera questão de “poder público”, ou então em um estudo sobre as “relações do poder”: uma cratologia.
Algo muito distante do pensamento de Aristóteles, que via, entre outras coisas, o seguinte – como é apontado no livro:
- Ética e política em associação inseparável, ou, noutras palavras: o caráter ético de toda ação política e a dimensão política de qualquer ética;
- o caráter pedagógico da lei;
- a distinção entre o ato justo e o ato de justiça – sendo este último um movimento da liberdade interior do homem;
- a virtude como uma precondição para o exercício de algumas artes, dentre elas a da política
Já o pensador medieval Tomás de Aquino (baseado em alguns princípios aristotélicos) chegou aos fundamentos metafísicos da política e também do conceito de “lei” natural, sustentáculo de toda lei positiva humana.
Como se vê, trata-se de uma obra de grande interesse não apenas para aqueles que se interessam por filosofia política, mas também para juristas e advogados, pois nela há um desenvolvimento ético e metafísico da noção “lei natural”, que tantos tratados produziu na história do Direito no Ocidente.
Sobre o autor:
Jorge Martinez Barrera é doutor em Filosofia Política pela Université de Louvain, na Bélgica, e autor de ensaios e estudos sobre teoria política publicados por algumas das mais prestigiosas universidades da Europa (Paris, Roma, Colônia, Navarra) e da América do Sul (Universidad Católica de Chile, Universidad de Montevideo, USP, PUC-SP, etc.).
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